Estudantes desenvolvem na UFU projeto de criação de tilápia precoce com menor custo

Mobilidade internacional no curso de Agronomia aconteceu através do Programa Marca

A proposta consiste na implantação de um sistema de produção de peixes em tanques de terra revestidos com geomembrana, uma manta de liga plástica, elástica e flexível.

O projeto, com título em espanhol: “Produccion de tilapias en estanques con geomenbrana”, foi desenvolvido durante período de mobilidade internacional na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) pelos estudantes Jhenny Vedia Maturano e Victor Hugo Soreta Adan, que são da Universidad Mayor Real Pontificia de San Francisco Xavier de Chuqisaca, da cidade de Sucre, a capital constitucional da Bolívia.

Os estudantes de agronomia observaram a necessidade do consumo das proteínas e vitaminas presentes nos peixes e projetaram a produção de tilápia vermelha sem espinha e de fácil digestão para pessoas com problemas gástricos. O diferencial está na criação em menor tempo e custo, com a implementação de novas variedades de tilápia, como o tipo GITF, que é produzido através de melhoramento genético e apresentou os melhores resultados nas pesquisas realizadas.

A escolha da tilápia, para o projeto, deve-se a sua fácil adaptação ao ambiente e alta reprodutibilidade. A ideia é fornecer o produto sem a espinha. “Ter que tirar as espinhas todos os dias é algo que incomoda facilmente as pessoas e por isso não consomem diariamente. Me chamou a atenção que esse peixe não é conhecido no meu país e alguém me disse que a melhor maneira de começar é ser o primeiro ou buscar algo e melhorar”, conta Maturano.

O objetivo é a produção e comercialização de tilápia vermelha baseada em uma política de oferta de preços justos ao consumidor, de modo a melhorar a qualidade de vida na Bolívia. “Minha política, que estou empregando em meu projeto é muito simples. Me colocar na situação econômica de uma pessoa de classe baixa em minha sociedade que não pode consumir carne de peixe porque os preços dos distribuidores nos mercados da cidade não são acessíveis”, informa Adan.

Os procedimentos de produção vão desde a análise das condições do solo para a construção e fertilização da lagoa, com o posterior monitoramento da qualidade da água e da alimentação das espécies a serem produzidas, para o então abate dos peixes que resultam no produto final. Devido a não existência de um especialista da área na UFU, o projeto contou com a colaboração do diretor regional da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Agrotap).

A supervisão foi realizada pelo professor Fernando Cezar Juliatti, do Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG) da UFU. Ele conta que todo processo de orientação é realizado pelo coordenador do curso de graduação local e que é uma grande troca de conhecimentos. “A mobilidade acrescenta além da troca acadêmica ou formação, a troca cultural e integração entre os países conveniados. Todos ganham com essa integração”, opina.

Para o professor, a pandemia de coronavírus não afetou o andamento dos projetos, uma vez que a orientação, durante o período, ocorreu de forma remota e o projeto já se encontra em fase de implantação. Em breve, Juliatti participará da defesa dos trabalhos de conclusão de curso dos estudantes na Bolívia, de forma remota.

Além do projeto que será executado, os alunos possuem subprojetos que pautam a confecção de artesanatos com a pele de tilápia e a extração de colágeno que pode ser industrializado. Adan conclui que o total aproveitamento da tilápia geraria mais oportunidades de trabalho e melhoraria o quesito economia em toda cadeia produtiva.

Mobilidade internacional

A mobilidade internacional dos estudantes bolivianos foi possibilitada pelo Programa Marca. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o programa visa melhorar a qualidade acadêmica por meio de sistemas de avaliação e acreditação e mobilidade acadêmica. Participam instituições da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, que possuam cursos de graduação avaliados e aprovados pelo Sistema de Acreditação Regional de Cursos Universitários do Mercosul (ARCU-SUL).

No Brasil, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Secretaria de Educação Superior (SESu), do MEC, são os responsáveis pela administração, como a prestação de bolsas e auxílios. Normalmente, o programa tem início em cada instituição conveniada no mês de junho e vai até dezembro. As disciplinas concluídas fazem parte do histórico do aluno e podem ser eliminadas no curso de origem.

Maturano afirma que para todo aluno é um grande sonho conhecer uma potência sul-americana, como o Brasil. Durante o período de intercâmbio, aprendeu muito sobre o pensamento empreendedor na área da agronomia. “Graças a esses tipos de programas existentes entre países, os alunos têm a oportunidade de viajar com o objetivo de aprender e experimentar. É por isso que vim para a Uberlândia”, comenta.

Já para Adan, o programa Marca dá a oportunidade de abrir visões para novos horizontes, costumes e culturas. Ao comparar a cidade de Sucre com Uberlândia, a qual ficou por seis meses, ele constata haver uma grande diferença no consumo e no conhecimento sobre a tilápia. “Na cidade de Sucre há mais complicações, como a falta de informação sobre a importância do consumo deste produto. Não temos parques de diversões onde se possa passar um fim de semana em família para degustar uma porção de peixe”, explica o pesquisador.

O consumo foi a principal diferença notada por Maturano, que observa a introdução do peixe na alimentação boliviana como um possível diferencial no retardar do envelhecimento e na saúde cardiovascular da população. “No meu país a comida é muito diferente do Brasil. Consome-se muito chili, batata, macarrão, alimentos que sempre contêm temperos e o consumo diário desse tipo de alimento faz com que as pessoas engordem e tenham problemas digestivos, em outras palavras, problemas de saúde”, analisa.

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